Vida a dois e o limites com a família depois do casamento

Quando passa toda festividade do casamento e lua de mel não tem nada mais gostoso que chegar em casa e começar a vida a dois. Mas muitos casais, no início do casamento, se deparam com uma rotina diferente, se assustam e não sabem lidar com essa transformação, principalmente mudanças envolvendo as famílias.

Evitar interferências familiares é importante para que a vida a dois aconteça em harmonia e o casamento seja preservado de influências externas

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O começo da vida a dois

Passado o casamento, a festa, toda aquela emoção e felicidade, incluindo a lua de mel, é hora de começar a vida a dois. E por mais que o casal já esteja junto há muito tempo, morar junto e conviver é diferente de quando se namora.

O começo de um casamento requer antes de tudo respeito. Amor, companheirismo, parceria, paciência, tolerância, saber ouvir e falar, e entender que aquela situação é nova para o casal e que ambos terão que, juntos, aprender a lidar com a nova vida a dois.

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E como nem tudo são flores, muitas famílias insistem em se intrometer na vida dos recém-casados querendo dar opiniões e até mesmo invadindo o espaço do casal tomando a frente as tarefas diárias que correspondem somente ao casal.

A psicóloga Karen Maciel Tomac, do Centro Terapêutico Akta Liv, comenta que o maior desafio para este início de vida conjugal é delimitar os espaços e ao mesmo tempo promover a convivência. “Como dica para preservar a boa convivência, sugiro que a família escolha algum dia na semana, este será o dia temático da família. Escolhido e acordado por todos, eles estarão juntos para jantar, almoçar, conversar, etc. Conviver bem com a família não significa não haver mais conflitos, mas sim a capacidade que cada um terá para superar as dificuldades, sair do clima de briga, olhar também para as qualidades do outro, reinventar através da criatividade várias maneiras de estar na presença dos familiares com menos tensão”.

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Falar com jeitinho com os familiares

Para não magoar os familiares, às vezes falar com jeitinho resolve, usando palavras que não ofendem como, por exemplo, dizer que agora vocês precisam aprender a caminhar sozinhos, pedir para os pais ficarem tranquilos e mostrar em ações que estão conseguindo amadurecer diante dos desafios da vida a dois.

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“Cada filho conhece bem seus pais e sabe as palavras que magoam então a dica é convidar os pais para um jantar ou criar em casa um clima descontraído e escolher um momento para introduzir o assunto: casamos e, portanto, juntos seguiremos na alegria e na tristeza, nos dias difíceis e tranquilos, assim como juramos no altar”, explica Karen.

Dessa forma, vocês estarão dizendo, com jeitinho, que precisam se desprender um pouco da família para evoluírem como uma nova e independente família.

Convivendo com a família

Sabe aquela frase que dizem que toda família é igual, só muda de endereço? É verdade. E depois do casamento muitas famílias, principalmente os pais, que são os mais próximos se sentem à vontade para se intrometer na vida do casal.

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Isso não pode acontecer e esse péssimo hábito da família tem que ser cortado logo no início da vida a dois.

Dividindo as tarefas, mas sem a família

Sabemos que a organização de um casamento gera muitas despesas e, algumas vezes, mesmo depois de ter passado o evento os casais ainda carregam algumas dívidas por um tempo. Com isso, fica inviável nesse começo de vida a dois ter alguém para ajudar nas tarefas de casa como lavar, passar e limpar.

Aqui, o que costuma acontecer é que as mães acabam invadindo o espaço do casal tentando ajudar, quando na verdade só está prejudicando.

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Muitas mães, por pena dos filhos, que depois do casamento passam a exercer outras funções dentro da casa, resolvem ajudar nessas tarefas como lavar roupa, passar, limpar a casa e até mesmo cozinhar e isso é péssimo.

A mãe/sogra pensa que está ajudando e só está atrapalhando. Primeiro porque o espaço e as coisas não são dela. Ela está invadindo a privacidade do casal querendo fazer as coisas do jeito dela e privando o casal de aprender a ter responsabilidades e crescerem como pessoas.

Evitando brigas

Pode até ser bom chegar em casa e ter tudo feito pela mãe/sogra, mas isso futuramente pode gerar motivo de discussões e brigas na família. Sabe aquela história de jogar na cara, dizer que fez tudo por vocês e que não é valorizada e respeitada pelo casal? É isso que acontece.

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Portanto, mesmo que vocês trabalhem, estudem e cheguem tarde em casa e não dê tempo de fazer as tarefas do dia a dia, se organizem e se ajudem para fazê-las no final de semana e sem depender da ajuda de ninguém. Por isso é essencial que o casal seja parceiro em tudo.

E quando o casal vai morar perto dos pais/sogros?

Muitas vezes a intromissão ocorre porque os filhos são imaturos e buscam manter aquela relação de dependência emocional, continuam apenas no papel de filhos, então essa transição precisa acontecer.

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“Para evitar qualquer tipo de interferência por parte dos pais ou sogros o casal precisa colocar limites através de diálogo e se for necessário com ações. A começar por não ficar contando aos pais ou sogros tudo que o casal pretende realizar, seja projetos de trabalho, familiar, viagens ou o que for. Isso é para preservar o espaço que é do casal. Evitando expor a vida a dois o casal já evitará muitas discussões”, reforça a psicóloga.

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Limites para a família

Evite reclamar do cônjuge para os pais. Quando isso acontece os pais, geralmente, ficam com raiva e pegam aquilo para eles, cria-se uma certa “birra” e depois que o casal volta as boas a confusão já está plantada e fica difícil de reverter.

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“Outro limite importante é físico, conseguir cuidar da casa e suas necessidades sozinhos, só o casal. Seja fazer as compras semanais sem pedir ajuda dos pais, resolver dificuldades de coisas que quebram dentro de casa sem depender dos pais, ou seja, criar uma vida independente, com autonomia para decidir e também arcar com as consequências das decisões do casal. A importância de vivenciar estes limites com os familiares dará ao casal a liberdade para aprenderem juntos a resolver os problemas e crescerem mais fortalecidos”, conclui a psicóloga.

Sobre o Autor
Eva Moreira
Evanise Moreira é jornalista, pós-graduada em comunicação e marketing. Trabalhou por 15 anos como assessora de imprensa. Ama cachorros e chinchilas. Adora casamentos e sempre se emociona quando vê uma noiva e quando escuta a Marcha Nupcial!

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