Casamento religioso: tradições e costumes em diferentes cerimônias

O casamento religioso com efeito civil é a celebração do amor em um ato público compartilhado em diferentes religiões

Receber a bênção no casamento é sagrado para muitos casais. Pois não se trata somente de uma festa, mas sim de uma celebração religiosa. Conheça as tradições e costumes de casamento religioso com efeito civil em suas diferentes cerimônias.

Casamento religioso com efeito civil

O casamento religioso com efeito civil é realizado fora do cartório e não presidido pelo juiz e sim por uma autoridade religiosa que pode ser padre, pastor ou rabino. Nesta cerimônia, os noivos não recebem a certidão de casamento, somente um termo de casamento, que precisa ser apresentado em cartório no prazo de 90 dias da data da cerimônia para registrar o casamento.

Se isso não for feito dentro desse prazo o efeito civil do casamento não é regularizado e o casal é tido como solteiros. Vale lembrar que nesse tipo de casamento o processo de habilitação para o casamento é o mesmo dos outros.

Casamento Católico

Os casamentos costumam acontecer em igrejas e o processo envolve certa burocracia como: documentos dos noivos, cópia de certidão de batismo, certificado de curso de noivos.

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A celebração é feita por um padre, que inicia a celebração com a Trindade Santa, seguida por uma oração sobre os noivos e leituras das palavras de Deus para o casal.

Um dos principais momentos do casamento católico é na troca das alianças e votos dos noivos. Depois disso é feita outra oração, essa chamada de bênção nupcial, falando um pouco sobre o Deus. Reza-se o Pai Nosso e a Ave Maria.

Casamento Evangélico

A cerimônia de casamento evangélico é mais objetiva. Existe o momento do louvor, onde geralmente são cantadas três músicas e em seguida o pastor fala um pouco para o casal sobre o casamento, mas de forma mais sucinta.

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Casamento Judaico

O primeiro ritual do casamento judaico consiste na assinatura do contrato matrimonial chamado Ketubá, que é primeiramente assinado pelo rabino. Esse contrato determina responsabilidades do marido com a esposa.

A cerimônia geralmente é restrita aos noivos e a outras duas testemunhas e acontece alguns instantes antes do casamento.

Depois disso, principalmente em casamentos ortodoxos, vem a recepção, o kabalat panim (cerimônia que saúda o casal), momento esse em que são cumprimentados pelos convidados.

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Durante essa recepção os noivos ficam em lugares separados. Na tradição judaica os noivos devem ficar uma semana separados antes da data do casamento. Em todo este período não se veem e não se falam – nem por telefone.

Quando termina o kabalat panim, o noivo vai até o local onde a noiva está com seus familiares e cobre seu rosto com um véu.

 

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Os pais dos noivos carregam uma vela cada um até o pálio nupcial (Chupá) onde acontece a cerimônia do casamento, que é oficializada pelo rabino. Quando a noiva chega à Chupá (lê-se rupá) é auxiliada por sua mãe e dá sete voltas ao redor do noivo.

Segundo a crença judaica, essas voltas são para espantar os maus espíritos que tentam separar o casal e seus projetos de vida juntos.

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Depois de dadas as sete voltas (as sete voltas são alusivas aos sete dias de criação do mundo), o rabino recita uma bênção em agradecimento a D’us pela união do casal. Este momento da cerimônia é chamado kidushim (santificação ou consagração).

Aqui também são feitas duas bênçãos pelos noivos sobre a taça de vinho, que simboliza a alegria e a tristeza que o casal encontrará pela frente.

Daud Pachá

Na sequência, acontece a troca das alianças e o noivo tira o véu da noiva, eles tomam um gole de vinho e ele coloca a aliança no dedo indicador para se destacar perante as testemunhas e indicar firmemente o compromisso desta importante transição da vida. O noivo fala para a noiva:

“Com este anel es consagrada a mim, de acordo com as leis de Moises e Israel”. E a noiva responde “Eu pertenço ao meu amado e o meu amado me pertence”.

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Depois, o rabino lê a Ketubá e pronuncia as_sheva brachot_ (sete bênçãos) sobre o casal. Finalizando a cerimônia, o noivo quebra com o pé um copo que simboliza a lembrança à destruição do Templo de Jerusalém pelos romanos no ano 70 a.C..

Este ato simboliza o fim da cerimônia sendo sucedido pelo momento de alegria intensa e muita comemoração.

Casamento Espírita

Na doutrina espírita não existe cerimônia para celebração do casamento, nem rituais. A cerimônia é comum, geralmente ministrada por alguém muito próximo ao casal, que cita algumas palavras e agradece a Deus pela vida e por toda a graça.

A troca de alianças acontece da mesma forma que os casamentos realizados em cartório e o vestido de noiva é opcional.

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No espiritismo é dito que o casamento é quando existe comunhão e assim os espíritos se simpatizam um com o outro.

Casamento Budista

A cerimônia do casamento budista é chamada de Nangchang e é celebrada pelo abade ou Rinpoche (título do budismo tibetano que se dá a um lama considerado precioso por seu conhecimento e prática, um líder) em frente ao altar do Buda.

Aqui no Brasil as tradições budistas se misturam com tradições ocidentais e a noiva pode usar o tradicional vestido de noiva, porém o noivo e os padrinhos não podem usar roupas de cor preta.

Toques sonoros que reverenciam Buda proclamam o início da cerimônia e os noivos entram juntos no templo e caminham até o altar. O noivo fica do lado esquerdo do altar e a noiva do lado direito e os padrinhos atrás dos noivos, nunca atrás da imagem do Buda.

O altar é composto por um vaso e um candelabros vazios, flores sem espinhos, uma vela vermelha e uma caixa de incenso, que é acendido pelos noivos no início da cerimônia.

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Os noivos e os convidados recitam o Tisarana “Refúgio Tríplice” – o Buda, Dhamma e Sangha, o Pancasila e o Vandana, (poemas e palavras sobre a verdade do budismo). Em seguida os noivos oferecem flores à imagem do Buda e falam seus votos.

O início da cerimônia se dá quando a noiva oferece flores ao noivo e ele entrega a vela acesa para ela. As ofertas do casal são sempre evocando Buda e seus ancestrais pedindo bênçãos ao casal.

Um sino é tocado e os padrinhos e convidados juntam as mãos e começam a leitura do sutra (poemas que falam da passagem de Buda pelo mundo).

O ritual mais simbólico da cerimônia budista é o San-Kudo, uma bebida (saquê) servida em um bule, que o Rinpoche serve em três xícaras.

Os significados das xícaras são: a primeira significa juventude, força e vida (possui o pinheiro, que está sempre verde em todas as estações do ano), a segunda xícara possui o bambu, que é flexível, que se dobra, mas não quebra e a terceira xícara que representa a beleza e a coragem (contém flor da ameixeira, a primeira e a desabrochar mesmo em períodos de neve.

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Os noivos precisam tomar três goles de cada bebida de cada uma das xícaras e sempre segurando com as duas mãos. Ao total são nove goles.

Esse ritual simboliza três joias do budismo: Buda (o desperto); Dharma, (o caminho do entendimento e do amor), e Sangha (a comunidade que vive de forma consciente e harmônica).

Depois os noivos leem os votos, os padrinhos assinam o livro e o Rinpoche abençoa as alianças e coloca na mão esquerda de cada um, um rosário com 108 contas, que representam os 108 portais para a iluminação.

Ao final da cerimônia os pais dos noivos citam o mangala sutta e o jayamangala gatha (mantras) com bênçãos ao casal. Todos os presentes fazem um minuto de silêncio mandando energias positivas para o casal, harmonia e felicidades.

Culto ecumênico

Esse tipo de celebração é feito quando os noivos possuem religiões diferentes, mas não abrem mão da bênção na cerimônia de casamento. Geralmente é feito por um cerimonialista, que cita algumas palavras de Deus, fala sobre o amor e o casamento.

Sobre o Autor
Eva Moreira
Evanise Moreira é jornalista, pós-graduada em comunicação e marketing. Trabalhou por 15 anos como assessora de imprensa. Ama cachorros e chinchilas. Adora casamentos e sempre se emociona quando vê uma noiva e quando escuta a Marcha Nupcial!

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